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Meu perfil BRASIL, Nordeste, Mulher |

.: Créditos :.
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Para quê caminhos longos
se sem atalhos já sei o que enfim perdura?
Para quê trilhar árduos desertos
se a miragem mais bela é o meu coração que fulgura? ...
Pergunto aos céus e as estrelas me respondem :
“-- para onde vais? O que procuras?
Será o devaneio de uma noite escura?
Ou a calmaria que em teu peito há de nascer
quando desceres deste trono de lamurias
e enfim vieres me conhecer.
Se brilho tanto algum motivo há de ter,
nada é vão neste universo,
teus olhos reluzindo é que te peço,
até que absorvas
a luz que te dedico enquanto me observas.
Já mereci versos,
conheço os pedidos dos reis e dos mendigos,
não é em vão porque brilho,
não é em vão que a toda noite te digo humildemente:
na beira do abismo há sempre
uma semente querendo chão,
querendo lua, para que a vida tua possa florescer,
não é em vão porque brilho,
sempre um grande motivo há de ter. “
...
Sinto quando sinto o universo
que passeia uma beleza inexplicável
é como olhar para o invisível e entender
a sutileza que não podemos compreender.
Drika Duarte
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DEVANEIOS SOBRE O TEMPO I
Por vezes meu peito ferve, e me retenho para não extravasar um olhar a mais a procura da vida que baila nos silêncios, na palavra não dita, no beijo aguardado, na luz dissipada de um peito que transborda... E piso como quem pisa em diamantes preciosos e frágeis, uma pérola de cristal, um verso de vida e arte, esquecido do brilho que mantém o raio faiscante que encanta e alumia, soberano e doce, calado e árduo; agridoce, misteriosamente translúcido pelas lentes dos olhos meus que decifraram a esfinge e guardaram o segredo em um baú trancado pela eternidade. E pelo tempo que anula e oferece a capacidade de compreender que ele, hoje, é para isso e não aquilo.
O tempo hoje é de colher o que foi plantado e de plantar a colheita futura. E ele é sábio, conhecedor da necessidade de amadurecer as coisas antes de pô-las na mesa, para que o fruto possa exalar, com propriedade, o gosto nobre da criação. Arrancá-lo antecipadamente da árvore é matar em nós o sabor doce que ele nos ofereceria se esperássemos o momento certo, a época certa, o dia certo, a hora certa.
Depois da tempestade, o sol glorioso e forte canta ao meu ouvido as cores que abrem o coração para o novo tempo que, de tão louco, é dono de uma lucidez que a nossa vã ignorância não consegue ainda alcançar...
DEVANEIOS SOBRE O TEMPO II
A vida não espera...
Incansável pulsa o coração que anuncia a melodia do espírito. Quem cansa somos nós, quem morre somos nós, mas o tempo continua... Somos os olhos dele, somos os beijos dele, somos a lua dele, somos as mãos do tempo dele, somos a música com que ele anuncia um novo tempo.
É preciso, apenas, esquecer e continuar mais um passo adentro no tempo que me dá a certeza de ser criança, e minha alma pueril vive a brincar com ele só para sentir mais uma vez essa carícia sagrada e eterna que é a mão do tempo nos colocando ao colo em um aconchegante manto; embalando-nos; embalando-nos e dizendo : tudo passa, tudo segue, é só um passo a mais para a eternidade; olhe para trás e verás o quão miúda foi a tua vida; olhe para frente e sinta o horizonte infinito chamando-te para desvendar um caminho que não cabe nos teus olhos, o que passou não é nada frente ao que estar por vir. E a felicidade é para além, é acreditar no porvir...
E o que fazer quando o porvir nos chama, senão aperfeiçoar a beleza do caminho...
O tempo de tão louco é dono de uma lucidez que a nossa vã ignorância não consegue ainda alcançar...
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Germinação
Abro-me em espinho, porque no meu peito florescem rosas. E sirvo-me dos espirais pontiagudos, para proteger a delicadeza que me transborda. São escudos a velar minha inocência, pois nesta terra olhar cegamente para tudo é suicídio. Não tenho talento para definhar, por isso me fiz samurai da minha bem aventurança. Sou guerreira e o meu escudo pontiagudo também é veludo e doce, sabe como defender sem precisar atacar, sem ter de recuar, apenas livra-se-me dos golpes mundanos, que de tão precários tentam, ainda, insistir na própria submissão.
Caminho olhando as pedras e sentindo estrelas, no caminho tortuoso, não sou o que piso; sou o que ouso, sou o que abstraio, sou o que levo. E levo comigo segredos suaves, de uma textura agradável e serena, que rebrilha na face de quem toca, que é luz no sonho de quem chora, que é vida no berço de quem ama. Nesta passageira empreitada, não basta-me ser passageiro, tenho que servir como operário, tenho que colocar as mãos na obra, tenho que gritar o que aprisiona o medo, tenho que lutar a luta perfeita, tenho que unir, porque sozinha sou fraca, e meus braços ainda não alcançam o universo, quero entoar um grito unificado de milhares vozes solfejando a alma numa mesma música, uma melodia universal,
que acalenta, perdura e ressoa na freqüência que liberta o aprisionamento. Neste plano ainda é humano minha solicitude, meu reencontro com o que me jaz... Seguirei angariando mãos para me acompanhar, seguirei acreditando no sol que ainda vai raiar; na lua esplendorosa que nos alumiará. O céu mostra-se em todo lugar, através dele a beleza revelará o arco-íris que nos encantará com um mesmo sonho, um fim que no fim do verso, ao invés de ouro, é a elevação, um canto demasiado terra, considerado vento, ternura de apaziguamento refletindo o que em nós é coloração, branco, brando, esperanto e germinação...
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"Não é só reclamar é também buscar,
negar o imposto e substituir pelo melhor que já está sendo posto…"
Tatiana Cobbett
http://www.sonoraparceria.com.br
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Eu o vejo tão perto
Que me sinto em cada vão segredo.
Nunca foi tão bom
Olhar para mim.
Queria tocar em tuas mãos
Como quem toca no audacioso
Escuro de pretensões serenas.
A tua presença é mais forte
E me entorpece durante toda à noite
E quando raia o dia, quem diria?
Ainda estou a me embriagar
Embebida no teu olhar..
Saio da tua casa e sempre
Volto sozinha para o que chamo de lar
Drika Duarte
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ávida para voar...
meu coração flameja
é tão claro que sinto
minha luz na tua
é árdua a luta de quem cala
sentindo a flor exalada na rua
esquecida nos dejetos da alma
longe da morada bela
vagando sozinha na própria cela.
quanto tempo mais terei que anular
a verdade que quero te ofertar
me diz, porque é preciso esperar?
(e se um dia a vontade passar?)
em qual salão iremos dançar
essa musica solene que toca
no meu coração que bailando te mostra
a vida pulsando no ar
ávida para voar
Drika Duarte
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quando meu corpo se congela
sinto medo do frio
parto para o sol
me parto para o dia
me abro para um sorriso longe
que por dentro me seguia.
ao ver fora o que me é dentro
eu não aguento, eu rebento
e cedo à luz que me pertencia.
ainda acho que meu abstrato retrato
contém os sinonimos de uma parceria
o tempo dirá, eu sei, que virará noite este dia
e cairá por terra a luz da minha alegria.
Drika Duarte
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Cada noite que me atropela
me faz querer, ainda mais,
Ser morta por ela...
E se morrer for sempre
Um estalo de luz fascinante
Fecho os olhos e morro
A todo instante...
Em cada falecimento
Encontro um renascer da vida....
E a lua que abrasa os olhos
De uma fortaleza que transborda águas,
Suores, sorrisos, beijos irresistíveis....
Sei que fui levada por uma correnteza,
E talvez não me valha,
Morrer sempre nesse rio
que não sei onde deságua...
mas, já disse,
que minha fortaleza transborda águas
ou me afogo, ou me lavo nessas lagrimas
Ruim seria não deixar jorrá-las...
Sim, os extremos daquelas amplitudes
me deixaram extasiada...
e sigo sendo o rio dos versos e as palavras
da musica exalada
por uma fortaleza que transborda águas...
Drika Duarte
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meu pequeno verso
desfolhou-se em tristes
pétalas negras
a cor brasileira
o suor que não se esquece
gritos e ritos
de esperança agreste
meu pequeno campo
revesti de sofrimentos tantos
para abrandar a voz
que não me quer calar
sei
que a flor que tanto quero
repousa inculta em outro jardim
me abasteço em mim
e provo com a clareza que falta
que as flores são almas desacordadas
e em sono profundo sonham
em levantar as assas e cantar como pássaros
a dor que a sonolência causa.
eu inculta de mim também sou.
sou tão pouco que nem mas aqui estou.
apenas me absorvo dos sonhos mundanos
que um dia tive.
agora quero levantar as assas
e alçar o vôo dos livres.
Drika Duarte
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Com a porta aberta
triste fim
uma esperança despedaçou
partiu em mil cacos,
testemunhou
a tentativa de acabar com a solidão
tantos corpos
e nenhum transmuta sonhos
como aquele que não se tocou
não se sentiu nenhum calor, nenhum suor
apenas uma gota de lágrima
consola o rosto que esta só
tantos sorrisos
e nenhum me acomodou
só consegui sorrir da ironia de saber
que o triste fim já começou
antes mesmo de acontecer
eu queria que o negro desses olhos
escurecesse a beleza que ainda resta
na aresta tão aberta desse peito
que se presta em deixar uma fresta
pra você entrar, cantar, amar,
e se reencontrar
sem nunca ter estado lá
Drika Duarte
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Acaso imediato
nessas horas de palhaço
prescrevo o meu remédio,
meu tédio inconsolável
de reter o mesmo estágio lamentável
onde está a alegria do meu dia
por onde devo passear para encontrá-la
em qual rua ela estaria
em qual casa ela se embala?
o lento caminhar quase massacra
esta vida é toda uma procissão
de sacrifícios etéreos de retenção
reter o que é livre é um pecado
mais pesado que o de Adão
comer a maçã é tão gostoso
feio é não ter comida na mão
Senhores, procurem minha alegria!
dou um sorriso a quem encontrá-la
e um beijo na boca de quem me der
a beleza de uma alegria involuntária !!
Drika Duarte
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Quando as sombras do meu peito cardíaco
Consumir em milhões de vermes
Teu coração maldito
Eu irei florescer,
Como as flores que tão lindas padecem
No amanhecer
Quando as farpas relâmpagas
Da lucidez humana
te fizerem ver em frações de segundos
o belo que já se extinguiu
serei eu com a corda no pescoço
me atirando no rio
e quando achares que estas só
olhe para o lado e me verás com um sorriso largo
te dizendo : voltei!
E não tenha medo de ter medo
Pois serei o peso das tuas costas frias
O pesadelo das tuas noites sombrias
O resto no teu espelho
Com um olhar meio a esmo
Que nunca vai te abandonar
E se achares que sou apenas um morto
Sentiras o cheiro do meu corpo apodrecer
Já que vivo desfaleço
Imagine quando eu morrer!
DRIKA DUARTE
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O que sei
se eu sempre quis ser e não fui
eu sou algo que posso chamar de falso
eu sou o atalho pra se chegar mais rápido
das coisas todas nada me basta
tudo me pertuba
me induz a fuga
na cidade, todas as luzes são nebulosas
nada mostra, pela perfeita discrepancia
que existe nos outdors amontoados
disputando os olhares que passam
vejo todos e nenhum!
eu consumo a rosa que nasce
entre o concreto
dela tiro meu ar
meu dia
eu consumo o vento
que entra nos meus olhos com ousadia
sem pedir licença
e me avisa os odores do mundo
nasci
mas não me acho nascida
nascer verdadeiramente
é se achar viva
metade não basta!
o que me move é o ócio
é a vontade de não acordar nunca
é morrer sem saber
eu ainda sei que estou morta
no dia que eu esqueçer que sei
estarei limpa!
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