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Tenho andado sem saber o que falar!
Tenho andado sem saber como andar!
Tenho andado assim, sem pensar!
Nesse dias tenho bebido dessa água maravilhosa e perigosa!
Raros mistérios tão cheios de vida!
Essas capas que outrora meus olhos viram, onde andarão?!
Não consigo pensar, talvez porque não queira ou não possa!
Não sei! Há tanta coisa que eu não sei! E não saber é angustiante!
Se não consigo entender o que se passa comigo
Como ousarei entender o que se passa nos teus olhos quando me olhas?!
Você é uma poça vibrante no meio do deserto
Eu uma viajante perdida que resolveu se aventurar
nesse canto ressequido e tórrido!
Ansiando por encontrar miragens!
Sem pensar  que beber da tua água pode ser perigoso!
Ou seria maravilhoso?!
Tenho andado longe demais pra pensar
Talvez eu esteja tão perto de você que nem ouso saber
Só pra não querer mais um pouco e matar a sede desse desejo louco!
Tão quente que perturba o pouco de razão que me resta!
Perder o rumo é tão bom que vicia
Ando viciada em me perder para estar nos teus braços!
Você meu pequeno!
Minha criança hiper-ativa!
Tanto ando sem saber para onde
Espero que você seja sempre a pedra no meu caminho!
Tornando minha vida mais bela
e longe dessa morbidez que me acompanha!
Deixa-me tropeçar em você?!!

                                                  Drika Duarte 26/03/05                   

 



- Enviado por: Drika Duarte às 17h15
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Agora ela estava perguntando pro tempo – o que é isso que tanto me incomoda ? O que é isso que não quero deixar passar, nem ficar,  que não posso saber que tenho? Que tenho sem saber! Sem saber que quero!

 

É tão confuso olhar essas palavras que tento escrever sem saber o que escrevo! – ela escrevia e não percebia que o ritmo de suas mãos não conheciam tamanha rapidez, mas a necessidade de contar era tão grande que a velocidade dissipava a angustia, a angustia de sentir sem se saber o que sente! Sem saber.....

 

Ela  procurava o espelho, o reflexo, querendo mostrar a si mesma que ainda era a mesma pessoa, a mesma... mesma ....mesmo? mesmo tão longe de si própria? Procurava fantasiar o que o próprio rosto mostrava, a verdade sem cor... a cor sem verdade!!  Os olhos infantis desaguavam em inconstantes lágrimas sem cores , sem dores !! Pergunta-se ao espelho esse reflexo é sincero, ou é uma capa que não me deixa ver quem sou? Quem sou? Sou quem... o que fizera a vida toda? Estudará, conquistará um espaço numa empresa de administração, exercia um trabalho mecânico, sem maiores considerações! O emprego lhe rendia um bom dinheiro no fim do mês.  Dinheiro esse, que não sabia como gastar,  gastava apenas com as despesas basicamente necessárias e o resto juntava talvez precisasse um dia! Precisar pra que? Nunca se sabe, é melhor se preveni! É melhor comedir os atos, é melhor controlar os passos! É melhor se cuidar, não é bom falar muito, quem fala de mais acaba falando besteira! Falando besteira, fazendo besteira ! É  melhor  conhecer o que se fará amanhã ! Surpresas são perigosas!

 

Desde de cedo aprenderá que é melhor estar em casa para não correr perigo. É preciso fazer apenas o necessário na rua, depois voltar pra casa e descansar em paz! O tempo estava passando e ela descansava em paz! Quando morresse já saberia o que é descansar em paz !  

 

Desceu as escadas, e a cada passo era como se sua vida desse um declínio, sem saber onde era o fim. Sem saber...! E o que se sabe dessa vida tão louca? No seu caso tão comedida! Tão sem surpresas! Tão, tão... comum! Comum! Igual a todas as outras pessoas! Na mesma hora se levanta, toma café, vai ao trabalho, sempre a mesma coisa! O mesmo ciclo, as mesmas pessoas, nenhuma novidade, nenhuma descoberta! Só agora perceberá o quanto estava vazia, sentia um ruído por dentro e não era fome! Era seu corpo, sua mente cansada daquele mecanismo automático, era a sua natureza gritando, pedindo um pouco mais de vida! Eram seus olhos que ansiavam por novos horizontes! Eram suas mãos que queriam tatear novas formas! Eram seus ouvidos que buscavam novas melodias! Era sua alma que sangrava os resquícios do que quase havia perdido!   

 

Saiu de casa, deixou o carro na garagem, pegou um ônibus para ver novos rostos, e foi olhar o mar! Sempre ele ! Caminhou em suas águas sem pensar em nada! Ela veio pra não pensar! E sem pensar que estava escurecendo entrou naquela água abençoada, batizou-se nas ondas divinas! Acariciou seu instinto com a brisa! Renovou-se! E a partir daquele dia tudo haveria de ter sabor! Saiu da água e sentou na areia , dessa vez ela pensou que a lua aparecia pra ela! Agora deitada sentia a areia se misturando com a água! Que melequeira danada ela fazia! Era a vida que tinha sabor e não era um sabor comedido, era um desmedido não estabelecido sabor! Agora ela provava da vida mesmo sem saber, sem saber... sem saber sonhar?    

 



- Enviado por: Drika Duarte às 11h01
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